Pesquisa: O fim do Henê ou o Fim do preconceito

Em anos de preconceito e em ano de TodoHenê pessquisas e estudos abalam o mercado cosmecticista.

O pirogalol seria perigoso? Cancerígeno? O vilão?

A matéria a seguir é da Faperj ( http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=6066) e todos os direitos estão reservados à…

Ingredientes de alisantes de cabelo podem induzir mutações no DNA


Elena Mandarim

Divulgação / Uerj
José Mazzei (E) e Israel Felzenszwalb pesquisam intensidade
de substâncias presentes no henê de induzir mutações no DNA

A indústria de cosméticos é um ramo da economia que não para de crescer. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o setor teve, em 2007, saldo positivo de 19,6 bilhões de dólares, 12% de expansão em relação a 2006. Além disso, desde 2002 a balança comercial nessa área está favorável ao Brasil, que exporta mais do que importa. Contudo, algumas substâncias presentes na formulação de cosméticos podem ter ação mutagênica, ou seja, modificar o conteúdo informacional do DNA, o que pode levar ao câncer. Contemplado no programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, o pesquisador Israel Felzenszwalb, do Laboratório de Mutagênese Ambiental (Labmut) do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coordena projetos que investigam atividade mutagênica e/ou antimutagênica em produtos naturais e sintéticos.

A pesquisa é subdividida na análise de oito compostos. Um deles é o ácido pirogálico, ou pirogalol, presente em alisantes industriais do tipo henê e alvo do projeto coordenado pelo pesquisador José Luiz Mazzei da Costa. O estudo investiga os “efeitos de composição e pH na atividade mutagênica do pirogalol”. Desde 1976, a Comunidade Européia mantém o pirogalol na lista de substâncias proibidas como ingredientes para cosméticos. No Brasil, porém, ainda é permitido sem restrições pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mazzei relata que, embora há algum tempo estudos mostrem que esse composto induz mutações no DNA, sua pesquisa comprova que a intensidade do pirogalol em induzir mutação genética varia em diferentes condições de pH e na presença de outras substâncias.

O professor afirma que os testes realizados são padronizados pela comunidade científica e consistem em reagir o substrato com bactérias. A substância é considerada mutagênica quando cria um número de colônias, no mínimo, duas vezes maior do que no grupo de controle. No caso do pirogalol, ele perde a ação mutagênica quando reage em meio extremamente ácido, de pH igual ou inferior a 3,5. Acima desse valor, inclusive em pH fisiológico (em torno de 7), é comprovadamente genotóxico, ou seja, altera a sequência dos genes do DNA.

Particularidade brasileira

A Anvisa propôs, em 2005, atualização da lista de substâncias proibidas no Mercosul em conformidade com a lista européia. Desde então, empresas do ramo buscam argumentos que detenham essa padronização, já que o pirogalol, que entra na composição do alisante henê, é bastante consumido no Brasil. O produto atende mais as características dos consumidores brasileiros do que dos europeus. Próprio para cabelos cacheados, encaracolados ou crespos, o henê é comercializado a preços populares e tem como público-alvo as classes D e E. Por suas propriedades colorantes, também é utilizado para tingir cabelos grisalhos. Mesmo com a variedade de novas técnicas e produtos para alisar os fios, o henê, que é um produto de baixo custo, representa cerca de 22% do mercado brasileiro de cosméticos de transformação para cabelos.

Divulgação / Uerj
Equipe do Labmut realizou testes com as amostras de henê

Felzenszwalb e Mazzei contam que foram consultados por dois fabricantes de henê, que solicitaram testes para avaliação em seus produtos, formulados em pH ácido. Diante do fato de nenhuma das amostras ter induzido mutações, o estudo sobre a influência que a composição e a acidez do meio têm sobre a genotoxidade do pirogalol foi incluído no projeto. Os resultados sugerem que a capacidade desse composto induzir mutações varia de acordo com as condições em que ele reage. Essas primeiras conclusões já geraram dois artigos científicos, publicados em periódicos internacionais indexados. Além disso, estão sendo apresentado em congressos e encontros com especialistas, incluindo-se apresentação para a Gerência Geral de Cosméticos da Anvisa, a pedido da instituição.


Anvisa: Novos paradigmas

Mazzei afirma que a exigência de testes recai somente para os ingredientes da fórmula, quando o mais importante é analisar os produtos tal como são vendidos aos consumidores. “Uma substância pura que induz mutagenicidade pode perder essa característica na presença de outros compostos ou em outro pH, e o contrário também pode ocorrer”, diz. Para ele, produtos formulados com pirogalol precisam ser controlados e testados. “Testamos apenas duas marcas de henê, mas há inúmeros outros produtos similares no mercado e seria importante saber se neles a atividade mutagênica também é inibida pela formulação”, pondera.

Os dois pesquisadores acreditam que o projeto é o ponto de partida para a discussão das regras mundiais vigentes que permitem ou proíbem a comercialização de produtos. “As agências regulamentadoras mundiais, incluindo a Anvisa, precisam criar novos critérios de fiscalização e exigir que as próprias empresas, os fabricantes, comprovem a segurança de seus produtos para os consumidores.”

A polêmica em torno dos alisantes henê está apenas começando. Enquanto não há uma decisão, os usuários devem tomar a precaução de utilizar, apenas, mercadorias registradas na Anvisa, além de seguir as recomendações de segurança dos rótulos dos produtos. 03/02/2010

O que eu Acho?

Bom… Depois de tudo isso tenho que dizer algumas palavras. Como vimos, o pirogalol em sua forma bruta e acima de Ph 3,5 é maléfico. Isso seria algo como o Raio-X , que não causa mal algum quando a aparelhagem está adequada e em baixas doses, porém se seu uso for indevido ele expõe o ser à canceres e mutações genéticas. É a radioativadade que em certas escalas e meios é neutra e até benéfica, porém ao contrário é muito perigosa aos organismos vivos e  pode-se alterar o material genético da pessoa…

Como vimos também 2 marcas (Nesses tipos de testes não há merchandising e não se costuma revelar qual a marca, mas normalmente na pesquisa final é sim revelada) foram testadas e são produzidas em pH ácido o que torna o henê inofensivo. “Diante do fato de nenhuma das amostras ter induzido mutações”… [ Se você ficou bem curioso por uma das marcas tenha certeza: Pelúcia e/ou Alizador Negro. Explico o Por quê: Nessas pesquisas eles usam produtos mais famosos e os que mais vendem. Bom, Henê é sinal de pelúcia… Mas o teste foi feito no Rio e o henê mais famoso lá é o Alisador Negro, até onde eu sei.]

Então isso tudo abrange o HENÊ e não só o Pirogalol, tem-se que estudar a reação e todos os compostos. Digamos o resultado final…

Qualquer coisa postarei aqui. Beijos.

10 comentários sobre “Pesquisa: O fim do Henê ou o Fim do preconceito

  1. …sem querer viajar muito , mas já pensou se o sucesso do henê no mercado passar a incomodar as empresas concorrentes, podem ter certeza que irá chover de pesquisas “contra o henê”! Já pensou se (Deus o livre!)for proibido??? Aff!

    Muitos produtos são proibidos/ ou má vistos simplesmente por questões econômicas.

    Desculpem meu radicalismo gente, mas vivemos no universo capitalista, portanto o $$$ na frente, enquanto a saúde, o bem estar -humanos, depois.

  2. Oi, Rique!! Sou aluna do ultimo ano de biologia na UNICAMP, trabalho em laboratório de microbiologia e lendo seu blog, pois também sou adepta do pretinho básico, quero levantar um questionamento nesta pesquisa: bactérias, que foram os organismos testados, são unicelulares (ou seja, possuem uma só célula), e se reproduzem em velocidade espantosa (algumas se reproduzem em intervalos de 20 minutos!), e o DNA destes organismos está espalhado na célula. São pontos que fazem com que estes organismos tenham mais propensão a sofrerem mutações (bactérias tem uma taxa de mutação mais elevada que organismos pluricelulares como nós, animais), o que poderia explicar o resultado das pesquisas. Se a bactéria, unicelular, que se reproduz com rapidez, absorve um produto que a modifica, mesmo com os mecanismos de reparo que uma célula tem, é mais fácil que isso seja passado para os descendentes, uma vez que as bactérias filhas serão iguaizinhas àquela que a gerou. As bactérias são muito sensíveis ao meio que as cerca, e qualquer alteração modifica e seleciona estes organismos (vide a resistência a antibióticos). Para estes testes serem coisas com as quais nós precisássemos nos preocupar, eles teriam que, no mínimo, reproduzir as condições de uso dos produtos, em animais (afinal de contas bactérias não são animais e não alisam os cabelos!), com aplicação nos pelos do mesmo, e aí observar se houve qualquer tipo de mutação e sua ocorrência nas gerações posteriores daquele animal, se esta mutação realmente vir a ocorrer, já que as células tem um mecanismo de reparo de mutações bastante poderoso no seu processo de divisão, que é mais lento em animais do que em bactérias, além de que num animal temos diferentes tipos celulares que precisam ser analisado para verificar as tais mutações, o que não acontece na pobre bactéria. Lembrando que gerações de animais e seres humanos demoram mais que 20, 40 minutos para serem formadas, ao contrário de bactérias, o teste destes nossos compadres seria bem mais demorado do que isso.
    No artigo, eles dizem que este tipo de teste é padronizado pela comunidade científica…estranho, pois normalmente teste e experimentos com substâncias a serem usadas por seres humanos utilizam animais, pois é necessário ver o comportamento do composto em um organismo que tenha semelhanças com o homem…antibióticos, medicamentos em geral, vacinas, muitos cosméticos, são testados em animais. Imagina eu, que trabalho com vermes, testando vermífugo em bactérias?? Nada a ver! Daí o cara me diz que a substância é mutagênica somente porque cresceram mais bactérias que o grupo controle, que não recebeu a substância? Isso não diz nada. Foi feita uma análise genética? Eles tinham os genes da bactéria mapeados, sabiam como era e o que mudou? Quero ver o artigo desses caras. Em tempo: no meio científico, uma publicação de artigo com um punhado de resultados chinfrins e inconclusivos, que você possa colocar no seu Currículo Lattes, fazer um posterzinho num congresso, mostrar produtividade de professores em pesquisa, pra falar que eles não tão ganhando um puta salário pra ficar a toa, além de uns recursinhos básico do governo e de empresas que querem lucrar com os alisamentos caros que não vendem por causa do henê, conta muito. Ah, e como conta, viu. A pressão científica é tão ou mais cruel que a pressão da indústria da beleza. Experiência própria.

    Sorry pelo coment longo, mas não achei seu e-mail pra contato. Beijos!!!!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s